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ana santos silva

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(...) o fotógrafo não mata o corpo, mas a vida das coisas. só deixa a carcaça, o envoltório, o contorno morfológico: através do visor, qualquer parte do mundo se transfigura necessariamente numa natureza-morta, um retalho de natureza inquietantemente parada, inerte. não é possível para a fotografia outro género que não a natureza-morta. Porque o princípio básico tanto da memória como da fotografia é que as coisas têm que morrer em ordem para viver para sempre. e na eternidade não conta o tempo; o passado e o futuro se confundem, da mesma forma que a lembrança e a premonição não são mais que um único e mesmo ato, se procedem do que conviemos em chamar historiadores ou profetas. (Fontcuberta 1997: 48)

FONTCUBERTA, Joan (1997) O beijo de Judas. Fotografia e Verdade, Barcelona, Editorial Gustavo Gili, 2010.