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tão raro que nos acorda

2019

projeto desenvolvido em co-autoria com

Natacha Suéli Pereira

Quando percorremos, sem rumo, os caminhos da Barquinha, encontramos espaços que nos convidam à reflexão. Espaços que revelam vestígios daquilo que já foram, que deixam pistas sobre aquilo que serão. Espaços invadidos pela luz que realça o real que vive dela. Pela luz que nos transforma em sombras. Sombras de um passado que não mais volta. 

Encontramos silêncio. Espaço. Vazio. 

 

Encontramos a possibilidade de vivermos uma experiência significativa da liberdade. Um vazio que nos permite começar. Um vazio que nos permite uma transformação silenciosa na nossa forma de escutar. Uma forma de ouvirmos, verdadeiramente e abertamente, o mundo. 

 

O silêncio, esse, já lá estava no início, antes das ruas serem desertas ou revelarem uma excitação nervosa. 

O silêncio, esse, estará lá durante o tempo presente, durante o tempo de encontros fugidios com alguém, de encontros raros – tão raros que nos acordam. 

O silêncio, esse, estará lá no fim, ou no início de outros tempos.

  

Encontrar o silêncio é encontrar o som do vento, o som da água, o som dos pássaros, o som de alguém que passa ao fundo. De vez em quando. Raramente. 

É encontrar o som do comboio que passa, o som dos patos ou dos cães a ladrar só pela nossa presença.  

Na verdade, aqui, há apenas um silêncio humano que nos obriga a emergir dentro de nós próprios. Que nos convida a encontrarmos nele uma forma de reinventarmos a vida. Que nos transporta para um ensaio sobre a liberdade.

 

É a partir deste silêncio que podemos ouvir a história da vila, uma descrição perfeita sobre as pessoas, os lugares e os diferentes acontecimentos que marcaram esta localidade ribeirinha.

© 2020

ana santos silva