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ana santos silva

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o passo entre a realidade que é fotografada porque nos parece bela e a realidade que nos parece bela porque é fotografada é brevíssimo. (...) basta que comecem a dizer de qualquer coisa: “ah, que belo, devia ser mesmo fotografado!”, e já estão no terreno de quem pensa que tudo o que não for fotografado se perde, que é como se nunca tivesse existido, e que portanto, para viver realmente se deve fotografar o mais que for possível, e para fotografar o mais que for possível é preciso: ou viver do modo mais fotografável possível, ou então considerar fotografável todo e qualquer momento da sua própria vida. a primeira via leva à estupidez, a segunda à loucura. (Calvino 2002: 72-73)

CALVINO, Italo (2002) Os amores difíceis, Alfragide, Teorema, 2011.